terça-feira, 17 de maio de 2011

MANIFESTO




Poderei estar dizendo um monte de sandíces aqui, mas até mesmo sandíces tenho direito de dizer, se quero provocar alguma reflexão arrazoada. Elas fazem parte de nossa incompleta informação. E quem a tem por inteiro ?

Ao cabo de exaustivos seis anos, o acadêmico de medicina egresso de sua escola forma-se e passa a ser conhecido como medico. A partir deste momento, se já não haviam ditto para ele, irá saber que o Conselho Federal de Medicina preconiza que todo medico é livre para exercer a especialidade que se sentir apto. Além disso, aprende que, não importa a especialidade que venha a exercer, a omissão de socorro constitui crime inafiançável. Diante destas duas assertivas, sabe que não pode ser impedido de exercer sua profissão, segundo os ditames de sua consciência e de seu código ético, que reforça ainda que nenhuma instituição pública ou privada, em caráter municipal, estadual ou nacional pode impedir o medico ao seu livre exercício.

A partir destes elementos, gostaria de entender o que acontecerá ao medico recém formado que, se não passar em uma prova da OMB ( a OAB médica ) sera impedido de exercer sua profissão. Pior, se proibido, não incorrerá em omissão de socorro ? Se ele puder ser enquadrado na omissão, não pode ser proibido de exercer.

Outra questão é a especialização . Se uma necessidade, não deveria ser obrigatória ? E se obrigatória, não deveria ser franqueada a todos, pelo Estado, ao menos uma especialidade. Não, saimos da faculdade nos debatendo em raias de corrida, por mínimas vagas, para realizarmos um programa de trabalho barato, para, daqui a dois, três anos, nos outorgarem o direito de exercer o que tanto lutamos para fazer. Sem contra o Mercado das especializações latu-sensu, que não nos franqueiam em sua maioria a possibilidade ao título e ainda tomam de nós grandes somas.

Que pais é esse que não enxerga estas incongruências ? Que medicos somos que deixamos estas coisas acontecerem e não nos unimos em prol de defender nossa arte ? É um absurdo medir alguém pelo número de títulos de que disponha. Não lançamos nossos certificados sobre os pacientes, para que eles, magicamente, curem-se. É com o saber, com o pensar e com o sentir que somos medicos e isso a cada dia tem menos importância nesta era fast food que vivemos em todas as areas.
Se a medicina não deve ser encarada como comercio e ela o é por todos os hipócritas que dizem que não, necessitamos de uma intervenção urgente do Estado, para garantir aos medicos boa formação, especialização digna, bolsas dignas, para que o medico exerça seu ofício bem, não pela quantidade de horas em que não vê sequer o próprio lar para ganhar seu sustento, mas pela qualidade e pela alegria em servir aos seus. Quantos de nós ainda acordam com amor pelo que fazem ?

Um comentário:

  1. Oi, Marcelo !!! Quanto tempo !!! Essa internet que proporciona 'encontros' com amigos queridos, pessoas importantes e família da alma !!! Como é bom te 'rever'. Fico contente e orgulhosa pelas tuas conquistas. Adorava conversar contigo. Ria muito e aprendia mais ainda. Se quiser me escrever: alidacarvalho@gmail.com

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